quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Eu nem comecei a escrever e o nó já é presente. Aquele velho nó na garganta que sempre aparece nos dias que eu não consigo suportar. Ele tem aparecido frequentemente, sobretudo nos dias em que eu me sinto sozinha.
E eu penso "foda-se, eu tenho Eddie Vedder, Llosa e alguns carinhas que sempre estão por aí", mas aí eu ouço. É uma voz que berra dentro de mim, que esperneia, que descabela. Eu quase perco o controle. E ele vem, o nó.
Parte dele se faz por causa daquele moço novo.
Foram apenas três dias e duas noites, mas eu sinto como se fosse uma eternidade.
Eu disse que minha versão da história havia sido muito mais interessante que a dele; ele fez pouco caso. Eu quase posso ver o sorriso de desdém dele ao discordar de toda a opinião que dou. Minha história não tem apenas pegadas, suspiros e suor. Minha história tem cheiro. Tem aquela minha palpitação característica. Aquela falta de fôlego que sempre me acomete à noite. 
Minha história é aquela de alguém que acorda ao meio da noite e encontra um estranho ao lado. Em um lapso de consciência, pergunta-se o que raios estaria fazendo ali, seminua, nos braços de um completo estranho. Mas que, em seguida, relaxa e pensa que não há outro lugar no mundo em que mais gostaria de estar do que naquele lado da cama estranha, no quarto estranho, no apartamento estranho, no prédio, na rua, no bairro, na cidade, estranhos. Tudo era estranho. A única sensação de familiaridade era aquela que vinha de dentro para fora: era bom. Era o certo, embora unilateral.
Isso. Era.
Porque hoje nada disso existe mais.
E sabe, não é amor. Não é paixão. Mas decepciona-me o fato de o ter encontrado numa dessas voltas da vida e ela, sempre ela, não ter me dado a oportunidade de aproveitar direito. Eu sinto o cheiro do beijo dele, um cheiro tão diferente - acredito que eram as faíscas que soltávamos. Um cheiro de ferro, de sangue, um cheiro bom que me vem como um tabefe e eu lembro que ele está ali, incrível, inatingível, alto, longe. Fora do meu alcance.
Tão inalcançável como Eddie Vedder, que canta no repeat que ele-acredita-porque-pode-ver-nossos-dias-futuros-dias-de-eu-e-você. E Mario Vargas Llosa, que ensina para quem quiser aprender como são os dias dos desafortunados apaixonados*.
E hoje eu escrevo sobre ele.
Que não sabe daqui. Que não sabe de mim. Que é misterioso e ambíguo. Que é sagaz. Que tem o meu tamanho. Que tem lindos olhos verdes (clichê que nunca usei em meu favor). Que só ele quis nascer com boca. Que tem um sorriso lindo. Que olha nos olhos quando... bem, você sabe. Que não me sai da cabeça. Que é incrível. Que não permite que eu me aproxime. Que não me deixa o conhecer de verdade. Que não me quer por perto. Que eu talvez nunca mais vá ver.
Eu só queria poder provar que ele seria o ideal para mim, mesmo ele tendo a extrema dificuldade em acertar os porquês. Gramaticalmente falando. Ou não.

Mas é isso aí, vida.
Você me bate daí, eu apanho daqui. E rezo para chegar o dia em que eu não me sentirei mais sozinha. Até lá, vou dando um jeito de acalmar esses maremotos emocionais em que você me coloca.

Ah....! 



*Ver Travessuras da Menina Má (Mario Vargas Llosa) para entender o que sofre um pobre apaixonado.


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