Querido amigo,
É aqui que gasto mais alguns minutos da minha vida, questionando. Você pode me responder?
Por que tanto desamor? Se antes era flor, ardor, tatuado na pele com primor, sem dor, radiante e cheio de sabor?
Éramos e vivíamos os dias como se fossem os últimos. E agora? Por que ficastes tão ausente, nada quente, seco, indiferente, exigente, descrente de tudo que poderia ter sido (e não foi, de repente)?
E agora a vida, outrora tão alegre e colorida, segue sofrida, varrida, despida, cuspida e dolorida, cheia de ferida, dessas que não cicatrizam nem com toda essa torcida.
Por quê, meu amigo?
Por que se usa, abusa, desusa, depois joga fora como um brinquedo velho, sério, pensa, por que tanta indiferença?
E eu costumava cantar, desafinar, chamar seu nome, gritar amor, amar, estar, procurar, no escuro tocar, sua pele achar e no meio daqueles cobertores, seu cheiro a me guiar, sentia que ali era meu lar.
E os papéis, tantos papéis, representados, amassados, rasgados e surrados, voltados a mim, agora já têm outro endereço para serem enviados.
E as músicas, tão lúdicas, hoje já não passam de lembrança e esperança que até cansa só de pensar em esperar. Não quero mais chorar.
Como conviver com a dor, me diz, meu amor. Seja lá o que for.
Meu amigo, hoje, eu só fico esperando, ansiando, querendo e sonhando, me humilhando, implorando para que esse tenha sido o pior dos pesadelos e, acordando, eu possa voltar para onde estávamos caminhando.
Não, isso não devia ser assim. Tem coisas que não mereciam ter fim.
Então, meu amigo (meu amor), me ensine: como conviver com a dor? Como lidar com o desamor? Como reviver a flor?
Dói, corrói, destrói.
Aquela que chora, implora e espera por uma melhora.


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