Ela arrepiava, mas não era de frio.
As lágrimas, que persistentemente ela segurava, agora abriam espaço entre a barragem e escorriam, initerruptas.
E ela conhecia aquilo tudo, sabia o que acontecia. Era algo recorrente, essa falta de amor próprio que ela sabia não ter.
E lia, e relia aquelas mesmas palavras. Lembrava de tantas outras, para combater aqueles pensamentos, em vão.
Ela sabia que não significavam nada, sabia que o poder era dela. Mas, não podia evitar os arrepios, tampouco as lágrimas.
Ela entendia que aquilo era pequeno, minúsculo. Sabia que se sentia assim não por causa das palavras, mas por causa da outra.
Como ela queria ser como a outra!
Tão sorridente e bela, loira.
Nem tão alta, nem tão baixa.
Magra.
Chamava atenção, tinha vários sapatos e roupas de marca. Ela não sentia, mas sabia que ela devia cheirar à baunilha.
Tinha oportunidades.
Dinheiro, status.
Era tudo que ela sabia não ser. A outra tinha tudo que ela sabia não ter.
E ela via o pouco que tinha sendo transferido para àquela que tudo tinha.
E o que ela sentia, era desejo de ser como a outra.
Que mesmo em outro país, conseguia ser notada pelas pessoas daqui. Pessoas que não eram dela.
E a garota se olhava no espelho e sentia inveja. Por não ser bonita, nem magra. Nem querida.
Por não causar comoção.
Por não poder.
Podada, ela escrevia meia dúzia de palavras sem nexo em uma página da internet, invejando um, querendo outro, chorando tudo e esperando nada.
quarta-feira, 7 de julho de 2010
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