E nada parecia compatível com o que eu queria dizer.
Eu queria dizer que a vida é melhor de uns dois anos pra cá.
Queria dizer que é bom ter sempre com quem contar.
Queria dizer que o Cacá estava certo quando disse que a amizade tinha dado certo.
Que o Noites foi o mais sábio de todos quando disse que nossa conexão era enorme.
Queria dizer que me sinto na sua pele, que suas vitórias são as minhas. Que todos os seus sorrisos são os meus. Assim como todas as suas lágrimas também são as minhas.
E um dia, uma menina comum de lá seus vinte anos de idade, conheceu uma menina de dezessete. E elas se entendiam bem. Conversavam sobre tudo. As barreiras que se têm no começo de uma amizade logo caíram, com tantas semelhanças que elas carregavam. A mais velha sempre achou aquele conceito de 'alma-gêmea' a coisa mais brega do mundo. Talvez a mais nova achasse também. Mas, a primeira passou a acreditar que almas realmente pudessem se dividir e habitar dois corpos.
Se liga, sai dessa, aí sim, tá legal?
E foram tantas palavras, tantas coisas. Coisas que ninguém acreditaria se contassem, mesmo sendo verdade. Tantas risadas. E as músicas? Às vezes ouviam as mesmas, ao mesmo tempo, em lugares diferentes. Só se davam conta depois.
E a de vinte anos viveu mais coisas nesses últimos dois anos do que em sua vida toda.
Dizem que basta alguém entrar em nossa vida para mudar tudo. Sim, quebrou a rotina, iluminou. Graças à Deus, ao destino, ao cosmo.
Hoje, é mais que amizade. Não saberia explicar, não quero me estender. É um amor tão grande.
E, quando eu vi a lua hoje, escutando sua voz me dizendo: Olha, parece de verdade o sorriso do gato da Alice. - eu pensei outra coisa.
Lembrei de um dia que a lua me sorriu. Tão bonita e majestosa, mandei-lhe um beijo e sorri de volta. Aquele era o meu dia.
Hoje, é o seu. A lua estava lá, sorrindo para ti.
Sorrindo, feliz. Aposto que pensava, agradecia.
Agradecia por poder te acompanhar, poder te iluminar. Agradecia pelas vezes que você a reparou e deixou-se inspirar. Agradeceu por aquelas suas lágrimas que ela pôde guardar.
E eu quase ouvi a voz da lua, que com uma pontinha de inveja, me dizia que sortuda era eu por poder estar perto, sorrir e ser notada todos os dias.
E eu senti que aquele amor era tão grande.
Sabia que dezenove anos eram poucos para tanto amor. Meu amor já tem idade para ser teu pai, menina.
E eu fermentei, guardei.
Mostrei a língua pra lua, e repeti as palavras de minha amiga aniversariante: Se o azar é só dela, eu não sei. Sei que a sorte é minha.
Mais uns setenta anos na minha vida, que tal?
Pois, um dia sem te ver, equivalem há anos luz de saudade.
Sem você, não existe eu.
Acostume-se, recomponha-se, me dê um sorriso. E aceite que eu sou a mais passional de todas, não consigo deixar de ser. E você sempre vai ser umas das inspirações principais da minha vida, que aos poucos eu vou proseando.
Obrigada pelos dezessete, dezoito e dezenove, Tamara.

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