Eu passei tanto tempo sufocando coisas dentro de mim. Eu sufoquei como se eu quisesse dar um fim naquilo que era meu por direito, como se quisesse esconder aquele pedaço inspirado de mim. Era como se eu pudesse tirar a tonalidade azul do céu, o deixando monocromático e sem graça.
Passaram - se os meses, e minha luta prosseguia. Pudera: eu me enganava e tentava passar a borracha naquilo que eu tinha escrito à caneta, à giz. Eu estava negando uma parte de mim, aquela que me fazia rolar sobre lençóis amarrotados, noite após noite, febril, em desesperado desassossego.
Gostava daquilo: era uma coisa minha, para mim, me sentia genuína, porém, não mais suportava aquela explosão de cores e formas, que ia e voltava, quando bem entendia.
Cansei. Apaguei a tal da luz que me iluminava; já até evitava o giz e a cor. Vivia alguns dias frios alimentando-me da obra alheia, sem comprometimento, somente admirando.
Mas não, sabia que não duraria para sempre. Assim como o dia dá lugar à noite, era questão de tempo para que as cores que eu sufocava e armazenava com tanto afinco saíssem a colorir algumas páginas e sorrisos.
Agora, elas estão aqui. Elas preenchem meus pensamentos, enchem linhas e colorem o céu, que estava realmente monocromático. Eu sabia que perderia algumas noites de sono, febris, mas eu sorria. Eu queria aquela parte de mim, queria colorir, queria ser, queria sorrir.
E agora, não mais sufocaria inspirações. Não mais lutaria contra a luz.
sábado, 2 de outubro de 2010
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