terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Olho pro teclado. As letras estão em itálico, os botões são macios. Um convite a escrita, embora, minhas mãos já doam de tanto que digitam. E eu tenho passado meus dias assim, ouvindo a risada alheia, indiferentes. Fico sozinha no meu setor, e quase não acredito em quantas desgraças podem acontecer em um só dia. E eu, pasma, na minha solidão, ouço risadas. Ricas risadas, risadas gordas. Risadas que não se importam em escrever que alguém é meliante numa ficha policial. As pessoas me assustam.

Percebo que só eu me importo se talvez essa pessoa fichada não conseguir mais nenhuma oportunidade na vida. As pessoas se recuperam, você sabia? E eu me choco com a frieza das risadas. Risadas mundanas, doloridas.

Risadas de pessoas que acham que tem tudo, mas lhes faltam muita coisa.

E um pobre coitado foi fichado por roubar material escolar de uma mãe, por não poder comprar o próprio para o seu filho. E o desespero fichou o cara, que foi preso.

Preso por não ter uma oportunidade. Ele foi igualado a assassinos cruéis, estupradores e pedófilos. Igualado a traficantes perigosos, a policiais corruptos, a políticos que escondem dinheiro na cueca. Ele foi medido, fichado. Por não ter uma oportunidade. Por nesse mundo cão, ele não ter o seu ganha pão.

E me diz...

Do que mesmo que você ria?

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