
E eu, quase imperceptível no meu canto, tão enclausurada na agradável prisão de minhas músicas em MP3, observo. Pessoas rindo, pessoas fumando seus cigarros no sol escaldante, pessoas falando em outras línguas (japonês, quem sabe?), velhas pessoas vivendo uma juventude tardia, atrasada. Pessoas de terno, pessoas de vestido, pessoas de sapato, outras de tênis. Pessoas que não percebem o chão em que pisam, porque levam seus narizes muito empinados, de arrogância. Pessoas que só vislumbram o chão, porque passam arrastando suas vidas, humilde vida. Pessoas que esperam pessoas. Como eu.
Mas, além de uma pessoa, eu espero mais coisas. Acontecimentos. Tão utópicos, mas as pessoas são mesmo assim. Sempre pensando em ir além, enquanto na verdade, não consegue seq
uer ultrapassar a linha da largada. Opa! Sentaram do meu lado. Será que ela espera também, como eu espero? Será que ela espera algo de mim? Não, não. As pessoas não devem nunca esperar nada das outras. AH! Ela foi embora. Acho que ela só esperava descansar um pouquinho, que coisa.E o desfile continua.
E eu sei o que eu espero. Mas os meus motivos não são nobres assim. Algo que corrói me impulsiona a escrever. Talvez nessas linhas eu poderei deixar esse sentimento sair.
Cada um na sua. Na minha espera, é o que mais dói. É o sentimento de não poder, sabendo que pode muito mais do que qualquer outra pessoa desse desfile.
Igualo-me a mediocridade que citei inicialmente. Arrogância é minha, por não dominar dores, papel, música e lápis. Sem me importar com nada, muito menos com ninguém desse freak show.

Utilizo estratégias falhas. Se a atitude tem que partir de mim, logo nada vai mudar. Porque isso corre tão rápido em minhas veias que quase posso sentir-lhe o cheiro!
Maldade também é. Não consigo me desvencilhar desse monstro porque talvez eu mereça todo o tipo de maldade e seus derivados. Guardo pra mim, então, corroendo por dentro, correndo em minhas veias, como forma de punição.
Em meu egoísmo interior, garanto: Sou tão igual a todas essas pessoas, mesmo querendo ser tão diferente. Cultivando essa minha planta carnívora, que um dia irá me devorar. Lei da sobrevivência, meus caros.
Droga! Vai chover e eu não trouxe o guarda chuva.

Nenhum comentário:
Postar um comentário