sexta-feira, 7 de agosto de 2009


Lembro-me de como estava cansada, e de como me sentia feliz quando tirei essa foto. Estranhamente feliz, até hoje não sei o motivo, mas era algo imenso dentro de mim, como há muito não sinto.

Mas, enfim, não é disso que vim falar aqui.
Queria mudar um pouco a ênfase que eu venho dado à esse blog aqui, e como está perto o Dia dos Pais, quero contar uma coisa que vi hoje, e fiquei tão emocionada!

A jovem acenava para o ônibus que partia. Com uma expressão no rosto de quem fazia a coisa certa, mas ainda relutante. O rapaz que entrara no ônibus trazia uma criança no colo. E ele rodou a catraca, com um sorriso amarelo de quem não fazia ideia do que o esperava, mas levava no olhar um brilho de quem há muito queria aquela situação. E assim que o ônibus arrancara e a jovem era deixada no ponto, respirando fundo, a criança se deperava com o empasse. E gritava: "Quelooo mamãããe!" - e o papai de primeira viagem sorriu. Disse para a criança que tudo estava bem, que ela não precisava chorar. E passou a viagem toda conversando com a criança, mostrando o mundo através da janela. Ela, tão pequena, ria das onomatopéias que o pai fazia pra ilustrar os carros e apontava sempre que via um. Logo, o choro pela mãe já não tinha mais lugar naquelas duas vidas. E o momento era tão único, que eu não pude deixar de reparar. Eu ali, a dois bancos de distância, não pude deixar de achar beleza na cena toda. E eu fiquei imaginando que coisa maravilhosa deve ser colocar uma vida no mundo, ter um serzinho que depende de você para cuidar. Nunca fui boa crianças, nunca tive jeito com elas. Mas, aquele momento foi tão emocionante pra mim, que fez eu pensar que eu quero um dia ter a mesma sensação que tivera aquele pai de primeira viagem, que levou a criança para um mundo novo, um mundo visto do ponto de vista da janela do coletivo.

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