quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Índios.


Quem me dera, ao menos uma vez,
Ter de volta todo o ouro que entreguei a quem
Conseguiu me convencer que era prova de amizade,
Se alguém levasse embora até o que eu não tinha.

Quem me dera, ao menos uma vez,
Esquecer que acreditei que era por brincadeira,
Que se cortava sempre um pano-de-chão,
De linho nobre e pura seda.

Quem me dera, ao menos uma vez,
Explicar o que ninguém consegue entender.
Que o que aconteceu, ainda está por vir,
E o futuro não é mais como era antigamente.

Quem me dera, ao menos uma vez,
Provar que quem tem mais do que precisa ter,
Quase sempre se convence que não tem o bastante,
Fala demais por não ter nada a dizer.

Quem me dera, ao menos uma vez,
Que o mais simples fosse visto como o mais importante.
Mas nos deram espelhos, e vimos um mundo doente.

Quem me dera, ao menos uma vez,
Entender como um só Deus ao mesmo tempo é três.
Esse mesmo Deus foi morto por vocês.
Sua maldade, então, deixaram Deus tão triste.

Quem me dera, ao menos uma vez,
Acreditar por um instante, em tudo que existe.
E acreditar...
Que o mundo é perfeito, que todas as pessoas
São felizes...

Quem me dera, ao menos uma vez,
Fazer com que o mundo saiba que seu nome,
Está em tudo e mesmo assim,
Ninguém lhe diz,
Ao menos, obrigado.

Quem me dera, ao menos uma vez,
Como a mais bela tribo, dos mais belos índios,
Não ser atacado por ser inocente.

Nos deram espelhos
E vimos um mundo doente
Tentei chorar e não consegui.

Legião Urbana*


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