E eu sempre tive necessidade de ser ouvida, ou ao menos compreendida. Quando me disseram: "AH, faz um blog, eu fiz um, lê lá!" - eu fiquei meio insegura.
Não acho que faço bem essa arte, de escrever.
Desde sempre que essa coisa de escrever serviu-me de terapia. Quando era criança, tinha daqueles diários que era trancado com chavinhas que eu escondia muito bem, até perdê-las. E neles, não continham nenhum segredo de Estado, apenas a vida cotidiana de uma menina comum, que sofria o que a grande maioria sofria. Lembro-me de ter escrito uma ocasião de como eu estava frustrada por ter pego piolho pela milésima vez no ano.
E fui crescendo, e não tinha mais diários. Nunca fui de muitos amigos, então, precisava mesmo desabafar em algo. Algo que me fosse fiel, que não delatasse minhas raivas, minhas angústias e minhas alegrias internas na primeira intriga. Foi ai que eu adotei o caderno.
E, nossa, me arrependo mesmo por ter queimado eles numa ocasião, por alguém que não merecia. Queimei, sim. Queimei mais do que simples folhas. Queimei minha vida em prosa, queimei meus segredos, queimei tudo aquilo havia significado algo pra mim. Como me arrependo! Hoje, já não lembro de metade do que havia escrito, talvez se lembrasse, teria vergonha. Mas, não sei... É parte de mim, que eu fui forçada a esquecer.
Hoje, ainda os uso, os cadernos. Mas, tudo que escrevo, acaba parando aqui, na internet.
Isso pode ser um erro, mas, eu já disse em algum desses lugares aqui na internet que o ser humano é vaidoso. E eu não fujo da regra. Como já disse, no começo, tenho necessidade de ser compreendida.
Da garota do início, mudaram algumas coisas. Já fui do tipo rebelde sem causa, já fui do tipo rebelde com causa. Hoje, eu me considero muito mais light do que eu era antes. Não consigo ter raiva de ninguém por mais de 24 horas. Já fui expulsa de casa duas vezes, mas não cheguei a passar do portão. Antes eu me considerava uma garota comum, hoje, me sinto diferente de todas. Me sinto diferente do mundo.
Sinto que o que me motiva, não motiva mais ninguém. E tem vezes que nem eu entendo o que realmente me motiva! E sou meio anti-social. Só adepta dos 'poucos e bons', mas mesmo assim, tem dias que só eu me aguento. Ou nem eu mesma.
Talvez isso aqui nem seja lido, talvez seja. Mas, a vontade que eu tenho agora, é que esse seja só o meu cantinho, sem julgamentos, ou coisas escondidas através de meias palavras.
Aqui, eu pretendo dizer as palavras que não são ditas.
Mas, como já dizia o poeta: "Quais são as palavras que nunca são ditas?"

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